repentistas
atuais
Ivanildo
Vila Nova
Geraldo
Amâncio
Louro
Branco
Valdir
Teles
Oliveira de
Panelas
cantadores
modernos
Elomar

Foto: Mário L.
Thompson
Nasceu em Vitória da Conquista/BA, onde teve seu primeiro contato
com a música dos violeiros e cantadores da região. Gravou em 1973 o disco
"Das Barrancas do Rio Gavião", e criou fama entre o universo
violeiro.
Seu Ribeiro

Foto: Caio
Dornelles
Nasceu no ano de 1973 em Belo Horizonte e reside desde os 14 anos
em Santa Luzia/MG. Neto de congadeiros, apaixonado pela literatura de
cordel, pelo repente e pela música transcendental de Elomar, Seu Ribeiro
gravou em 2005 o cd "CANTURI" (um tributo a nova cantoria), e hoje
representa o que há de melhor de uma nova safra de
cantadores.
Existem músicas de Seu Ribeiro disponíveis para download no
site do TRAMA VIRTUAL.
MÚSICAS
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O Cego
Aderaldo
Canto para
distrair,
Este meu curto poema: Vou fugindo da miséria Que é este o penoso
tema,
Desta terra de Alencar, Deste berço de Iracema.
Aderaldo Ferreira de
Araújo, o Cego Aderaldo, nasceu no dia 24 de junho de 1878
na cidade do Crato — CE. Logo após seu nascimento mudou-se para Quixadá,
no mesmo estado. Aos cinco anos começou a trabalhar, pois seu pai adoeceu
e não conseguia sustentar a família. Tomou conta dos pais sozinho. Quinze
dias depois que seu pai morreu (25 de março de 1896), quando tinha 18 anos
e trabalhava como maquinista na Estrada de Ferro de Baturité, sua visão se
foi depois de uma forte dor nos olhos. Pobre, cego e com poucos a quem
recorrer, teve um sonho em verso certa vez, ocasião em que descobriu seu
dom para cantar e improvisar. Ganhou uma viola a qual aprendeu a tocar.
Mais tarde começou a tocar rabeca. Algum tempo depois, quando tudo parecia
estar voltando à estabilidade, sua mãe morre. Sozinho começou a andar pelo
sertão cantando e recebendo por isso. Percorreu todo o Ceará, partes do
Piauí e Pernambuco. Com o tempo sua fama foi aumentando. Em 1914 se deu a
famosa peleja com Zé Pretinho (maior cantador do Piauí). Depois disso
voltou para Quixadá mas, com a seca de 1915, resolveu tentar a vida no
Pará. Voltou para Quixadá por volta de 1920 e só saiu dali em 1923, quando
resolveu conhecer o Padre Cícero. Rumou para Juazeiro onde o próprio Padre
Cícero veio receber o trovador que já tinha fama. Algum tempo depois foi a
vez de cantar para Lampião, que satisfez seu pedido — feito em versos — de
ter um revólver do cangaceiro.
Certa vez, em uma palestra, Leonardo Mota leu para o cego Aderaldo
umas estrofes em que Luís Dantas Quesado falava de coisas difíceis de
serem vistas. Imediatamente, o cego repentista improvisou estas sextilhas:
Só nos falta vê agora Dá carrapato em
farinha Cobra com bicho-de-pé Foice metida em bainha Caçote criá
bigode Tarrafa
feita sem linha
Muito breve há de se vê Pisá-se vento em
pilão Botá freio em caranguejo Fazê de gelo carvão Carregá água
em balaio Burro subi em balão
(MOTA, Leonardo. Cantadores)
Tentando mudar o estilo de vida de cantador, em 1931, comprou um
gramofone e alguns discos que usava para divertir o povo do sertão
apresentando aquilo que ainda era novidade mesmo na capital. Conseguiu o
queria, mas o povo ainda o queria escutar. Logo depois, em 1933, teve a
idéia de apresentar vídeos. Que também deu certo, mas não o realizava
tanto. Resolveu se estabelecer em Fortaleza em 1942, onde veio a abrir uma
bodega na Rua da Bomba, No. 2. Infelizmente o seu traquejo de trovador não
servia para o comércio e depois de algum tempo fechou a bodega com um
prejuízo considerável.
Desde 1945, então com 67 anos, Cego Aderaldo parou de aceitar
desafios. Mas também, já tinha rodado o sertão inúmeras vezes, conseguira
ser reconhecido em todo lugar, cantara pra muitas pessoas, inclusive
muitas importantes, tivera pelejas com os maiores cantadores. E, na medida
em que a serenidade, que só o tempo trás ao homem, começou a dificultar as
disputas de peleja, ele resolveu passar a cantar apenas para entreter a
alma. Cego Aderaldo nunca se casou e diz nunca ter tido vontade, mas
costumava ter uma vida de chefe de família pois criou 24
meninos.
Texto extraído do livro "Eu sou o Cego Aderaldo",
prefácio de Rachel de Queiroz, Maltese Editora — São Paulo, 1994. Retirado
do site releitura http://www.releituras.com/cegoaderaldo_menu.asp
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